



Velho(a)... Fisicamente falando, é o corpo em contínua transformação, que pode eventualmente atingir estado fisiológico excelente, caso a pessoa tenha sido regrada e praticado exercicios fisicos ao longo da vida. E' ter tudo que queriamos ter quando adolescentes, só que sessenta anos mais tarde. Acêrca do homem, sob a avaliação feminina, até que existem alguns sexagenários que ainda dão um bom caldo. Não os astros de cinema ou celebridades cheias da nota, sem mencionar os plasticamente recauchutados. Estes, a exemplo de um Hugh Hefner da "Play Boy", costumam desfilar com musas que poderiam ser em alguns casos suas netas, pois como filhas os casos já se tornaram lugar comum. São os dólares e os diamantes acobertando a discrepância entre a alcova, a vaidade fútil e a ganância das loiras gostosas e de cabeça ôca. Mas "velho" não é só hipertensão ou amnésia. Com o avanço da medicina, longe disso; tanto, que neste seculo a classificação da terceira idade foi modernizada. Agora temos o idoso jovem (60-70 anos) o idoso adolescente (70-80), o idoso adulto (80-90) e o idoso ancião (acima dos 90). Jamais se deve entregar os pontos, ou cair na besteira de sentir-se ultrapassado, peça de museu, parasita ou estôrvo para quem quer que seja. Em contra partida, nunca intrometer-se nos trambiques de âmbito familiar dos filhos, bancar o sabido, dar palpites e conselhos - se sim, com moderação - a menos que consultado. E, como aposentado, evitar fossilizar-se na poltrona do papai, adormecido na frente da TV ou perambulando pela casa. Preferível oferecer-se para ser o baibisiter dos netos ou o comprador dos produtos caseiros no supermercado e os remedios na farmacia. Os idosos jovens, que ainda mantem folego razoavel, não temem incoveniencias como gravidez; alias não têm nada temer, afinal foram abençoados com a idade avançada e o jeito é desfrutar da boa vida. Leitura, redação, gadgets eletrônicos, memorização de datas e fatos históricos, telefones, senhas e nomes, clube de amigos, jardinagem, passeios e viagens, internet, além de hobbies, são atividades obrigatórias para os aposentados, pois desperta a curiosidade, ativa os neurônios, conserva a memória e impede a intromissão mental daquele indesejado alemão; como é mesmo o nome dele? Ah; Alzheimer! Um destacado médico alemão de nome estapafúrdio que convém nunca lembrar... Porém, não se deixem enganar. Memória é a atividade cerebral do mais decisivo espectro prático na vida do dia-a-dia e lapsos estão sempre acontecendo, quer em jovens quer em idosos. A amnésia temporária irá inevitavelmente ocorrer de maneira periódica ao longo da vida e o fenômeno é conhecido por todos, com maior ou menor incidência. O cerebro dos idosos é vagaroso porque está tomado por um imenso cabedal de conhecimentos, o que lhes toma tempo alem do razoavel para faze-los aflorar. Por outro lado, esta vasta quantidade de dados, segundo os cientistas, afeta a audição, pois exerce demasiada pressão no mecanismo interno do ouvido. Exemplificar o esquecimento, de maneira característica, é tomar como modêlo um môlho de chaves ou um óculos deixados em algum canto da casa. É o caso daquele sujeito sessentão plus que deixa as chaves em cima de uma das prateleiras da sala e algumas horas depois precisa do carro para sair. Entra na sala procurando pelas chaves e nisso toca o telefone. Ao apressar-se em atender, esbarra desastradamente na mesinha de centro derrubando uma bandeja de salgadinhos que se esparramam sôbre o tapete. É a espôsa, pedindo o telefone da farmacia, cujo numero está na caderneta de endereços no criado mudo do dormitório. E por ai avançam os incidentes em forma de sindrome... O cara vai ver o número do telefone, mas ao passar pela sala se depara com os salgadinhos no tapete, deixa a mulher pendurada na linha e vai à procura da pá de lixo e da vassoura... Demora, esquece da mulher, da limpêsa e do uso do carro e fica plantado no meio da sala, a dois metros da prateleira contendo as chaves, matutando o que estaria planejando fazer... Neste caso, ao que parece, a falha de memoria age como mecanismo de compensação, pois obriga o senior a mover-se alem do que faria espontaneamente. (Se o cara tivesse tido a prevensão de prender o môlho de chaves em algum ponto de sua cintura ou usasse uma bôlsa com etiqueta luminescente, o problema estaria resolvido e o fantasma do alemão temporariamente afastado). |
