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por Salo Yakir - 01/04/2010 Hoje, 5a. feira, páscoa judaica e meio feriado, o tempo aqui no Vale Yzreel está levemente ensolarado. Estive pensando no que fazer e decidi contar-lhes como passei a última noite. São quase 14:30 e o computador continua sendo uma das opçoẽs de entretenimento, além da TV, do cinema ou de um passeio pelas redondezas. Acordei ao meio-dia, isso depois de uma noite de guarda noturna. Morfeu cerrou as minhas palpebras lá pelas 05:30 da manhã, concedendo-me antes alguns minutos de concentração e paz de espirito para que eu pudesse falar com a minha filha em Los Angeles. Imagino que o sonho começou mais ou menos uma hora depois que adormeci. Despertei lá pelas tantas, suado, ofegante, confuso, e acima de tudo muito excitado. Desci da cama meio cambaleante, fui à cozinha e ao banheiro e de relance vi que o relogio marcava 06:50 da manhã. O ruido das ondas do mar quebrando na praia e contra os rochedos, continuava a ecoar nos meus ouvidos. Talvez não fôsse a maresia, teria sido mais o cansaço fisico e mental que tornava a minha cabeça pesada e os ouvidos zumbindo. De qualquer forma, sonhando, lá estava eu no parapeito do calcadão. Dali, descortinava-se o amplo campo cinzento de areia, impregnada das faiscantes particulas de silica banhadas pelos raios do sol matinal. E o mar, ruidoso, exibia a sua hipnotica majestade ao meio do constante e magico contorcionismo. Para além da enferrujada grade de proteção, eu podia ver a praia totalmente deserta; porém, subitamente, notei que inúmeras criaturas saltitavam entre as ondas. Era um espetáculo assombroso, próprio de uma lenda encantada e fantastica. Aquelas pequenas criaturas, se observadas mais atentamente, eram nada menos do que sereias multicoloridas que se agrupavam de acôrdo com a côr luminescente de suas caudas. O crepusculo que irrompia ao meio das nuvens recem escancaradas, projetava sobre o corpo daquelas mulheres-peixe uma luz angelical e desconcertante. Como que hipnotizado, transpuz a grade de um salto e pude sentir a areia umida e pegajosa sob os meus pés. Comecei a andar em largas passadas em direção ao mar convulso e salpicado das cores mais exuberantes; as sereias se deixando elevar e mergulhar entre o movimento continuo das ondas. Eu mal havia dado uns poucos passos quando avistei, perplexo, uma enorme ave amarela- alaranjada materializando-se do nada, para, num vôo razante, sobrevoar as aguas, emitindo estridentes chiados e executando um vigoroso balancear de asas. Aproximando-se do local onde se contorciam as sereias, fê-las, de pronto, mergulhar e desaparecer sob as ondas espumantes. Quedei-me boquiaberto, petrificado, enquanto acompanhava o vôo maravilhoso daquele pássaro incomum. Completando uma volta sobre um aglomerado de palmeiras, vi-o gradativamente baixar e por fim pousar a poucos metros de onde eu me encontrava. Dando uns passos à frente, recolheu as enormes asas com um farfalhar docil e elegante. Paralisado pelo magico evento, fiquei mirando aquela fantastica criatura, do tamanho e porte equino, cauda em leque, penas vermelhas, brancas e alaranjadas em forma de escamas, solidas patas terminando em cascos semelhantes as de um camelo, enorme cabeça adornada por uma coroa multicolorida, olhos esmeralda e um bico madreperola arredondado. Pela sua postura, não transmitia nenhuma ameaça ou hostilidade, ao contrário; apos emitir um trilar harmônico de rara beleza, baixou junto aos meus pés uma de suas imensas asas, como uma plataforma, com a óbvia intenção de fazer com que eu a galgasse. Prosseguindo com o seu canto, o pássaro começou a locomover-se em direção do mar, enquanto que eu permanecia agarrado em volta de seu pescoço. Dentro de instantes, as sereias reapareceram por entre as ondas e, nadando em direção da praia, concentraram-se rapidamente diante do pássaro gigante. Este, abrindo as enormes asas, envolveu aquele numero imenso de pequenas criaturas, acomodando-as entre as penas-escamas de seu corpo. Quando o pássaro de fogo se preparava para alçar vôo, senti-me como que atirado ao mar, a agua (ou seria o suor) profusamente empapando meu pijama; foi quando acordei sobressaltado e ainda sob o impacto daquele sonho incomum. Depois de acalmar-me, pensei: Tivesse conseguido me agarrar com mais firmesa ao pescoço daquela ave impressionante, com certeza teria sido transportado para uma dimensão exotérica, repleta de côres, lindas flôres, cascatas, relvas verdejantes e rios impregnados de belíssimas sereias... Valeu. Sonho ou fantasia, saibam que além do horizonte, bem acima das nuvens, vive um pássaro exuberante que, furtivamente, vem nos visitar na calada da noite para alargar a nossa imaginação; vale a pena sonhar !!! Divagou Salo Yakir em 01/04/2010 (Israel). (numa data de crendice popular que até relatar sonhos imaginários é permitido...) |
| O VÔO MARAVILHOSO DO PÁSSARO DE FOGO © |