Quo Vadis (Latim:- para onde voce esta' indo? / where are you going to?)





Salo Yakir - novembro 2005

Israel pode ser classificado como um dos países de maior proeminência no que
diz respeito à cobertura de eventos jornalisticos. Mesmo antes de sua criação, o
país sempre se viu envolvido em acontecimentos e incidentes do mais elevado
grau de interêsse, quer devido às constantes altercações com os árabes e
palestinos, quer devido à destacada posição no contexto das nações, graças ao
impressionante desenvolvimento alcançado em menos de cinquenta anos, desde
a sua independência, como a única democracia dentre os paises do Oriente
Medio. A propagação ininterrupta da midia porém não para ai, pois é enorme a
massa de informações que se dispensa  à conjuntura politica nacional, das mais
complexas, conturbadas e imprevisiveis.

Abrigando uma população relativamente reduzida de 6 milhões de habitantes, o
país conta com a cobertura de três orgãos principais de imprensa escrita, quatro
canais de TV e diversas estações de radio, que transmitem boletins de noticias
diarios, de hora em hora. O jornalismo local é classificado como de alto nivel,
ainda que muitos assuntos, tidos como de implicação juridica ou de segurança
nacional, sejam censurados tanto nas areas civil como militar.

Há quatro meses atrás, registrou-se o que se pode chamar a "dramatica retirada
territorial", quando se efetuou a evacuação da região norte da Faixa de Gaza e
devolução da área aos Palestinos. O atual primeiro-ministro, Ariel Sharon,
pressionado pelos USA, obteve a aprovação do Knesset por pequena margem de
votos para desocupar Gaza, tendo para tanto de se valer da espúria coalisão
formada com o Partido Trabalhista - "Avoda", de Shimon Peres, coalisão que
acabou por desintegrar-se. O desfêcho deste cenario politico já vinha sendo
aguardado, ao ser desencadeado pela renuncia do então Ministro das Finanças,
Benjamin Natanihau e pela forte oposição de varios parlamentares do Likud, em
protesto à evacuação de Gaza. A pressão interna contra Sharon dentro do
partido e o torpedeamento de varias de suas iniciativas politicas, culminou com
a dramatica decisão do Primeiro-Ministro em desligar-se do Likud e optar pela  
dissolução do Parlamento.  Com esta decisão, endossada pelo Presidente Katzav,
o atual governo entrou em regime transitório, dele se desligando todos os
Ministros indicados pelo Partido Trabalhista, cabendo à Sharon a opção de
apontar novos Ministros pelo prazo de 4 meses, até as futuras eleições. O
Primeiro-Ministro vinha também de há muito sofrendo gradativa erosão de
credibilidade, suspeito que era de irregularidades eleitorais praticadas atraves
de seu filho e membro do Knesset, Omri Sharon. Trazido a julgamento, este
ultimo reconheceu ter praticado certas manobras contrarias ao Codigo Eleitoral
nas eleições anteriores. Para inflamar ainda mais o volatil clima politico, o
popular jornal "Yediot Haacharonot" publicou neste fim de semana novas
suspeitas de irregularidades praticadas por Sharon e seu filho Omri, desta vez
por nomeações irregularess feitas em instituições educacionais do setor
religioso.

No entanto, decidido a reeleger-se Primeiro-Ministro nas eleições, Sharon
acabou de formar um novo partido de orientação centrista, o "Kadima", em
cuja lista figuram varios ex-parlamentares do Likud, do Partido Trabalhista e
outros nomes de projeção nacional.   

Paralelamente, consumava-se no Partido Trabalhista uma de suas maiores
transformações internas dos ultimos anos, quando Amir Peretz, figura
controvertida e até então de pouca relevancia politica, surpreendentemente
elegeu-se lider do partido derrotando o veterano estadista Shimon Peres por
pequena margem de votos. Peretz, cuja ascenção politica se consolidou ao
eleger-se Diretor-Geral do Sindicato Central dos Trabalhadores, a "Histadrut",
foi fortemente apoiado pelas camadas populares do setor "Sefaradi",
ostentando a bandeira do socialismo-democratico em suas constantes aparições
publicas, frequentemente comandando e discursando em varias greves, no
melhor estilo europeu esquerdista  de um pretenso Lech Walessa. Por sua vez,
Shimon Peres acabou decidindo que era chegada a hora de encerrar a sua
brilhante carreira politica como o mais veterano dos afiliados ao partido,
carreira que remonta à epoca de David Ben-Gurion, do qual fora assessor
destacado, ocupando posteriormente cargos como Primeiro-Ministro, Relações
Exteriores, Ministro da Defesa, Transportes, Finanças e outros de destaque.
Para surpresa da cupula politica nacional, Peres optou por aderir ao
recem-criado partido Kadima, apoiando consequentemente o candidato Ariel
Sharon nas eleições a Primeiro-Ministro, cargo que ele próprio estaria
disputando caso houvesse sido apontado como lider do Partido Trabalhista.

Os órgãos de imprensa escrita e telefalada israelenses estiveram exaustivamente
ocupadas desde a evacuação de Gaza e o cardapio de eventos que o atual governo
está lhes proporcionando é dos mais atraentes, nao só pela variedade de
iguarias, mas principalmente pela liquidação de artigos do farto super-mercado
politico. Especulações, criticas, prognosticos,  pesquisas de opinião publica,
debates televisionados envolvendo as inumeras facções e camadas politicas,
entrevistas de ministros e parlamentares, tornaram-se uma constante diante dos
eleitores, radio-ouvintes e telespectadores confusos, dia após dia, noite após
noite.

Em 19 de dezembro próximo será a vez do Likud eleger o seu novo lider e
consequentemente aquele que virá a ser o candidato do partido nas eleições para
escolha do novo Primeiro-Ministro, defrontando-se com Amir Peretz e Ariel
Sharon. Até o momento, apresentaram-se nada menos do que seis candidatos ao
cargo, dos quais Beniamin Nataniahu e Uzi Landau parecem ser os mais
cotados.

Até 28 de março de 2006, data estipulada para a eleição do Primeiro-Ministro e
dos 120 parlamentares que estarão compondo o quorum da 17a. gestão do
"Knesset", a imprensa local estará mais ocupada do que nunca, como estarão
em ebolição os diferentes començais do panelão eleitoral, desde os
extremo-direitistas, socialistas, religiosos, centristas, esquerdistas, até os
partidos árabes, ávidos em mergulhar seus espetos no espêsso e rico "foundeu"
que irá lhes garantir um estômago estufado para os próximos quatro anos de
(indi)gestão parlamentar.


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