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PREFACIO

Este livreco não se fez de rogado e se materializou, como outros tantos que
surgem assim, de uma hora para a outra, sem mirar-se no espelho. Com a
agravante de usar da audaciosa técnica de meter os peitos a seu bel-prazer.
Seria como infiltrar-se em uma modesta livraria pela porta dos fundos, na
calada da noite, ignorando o dobrar do sino intelectual badalando o alarme às
quatro academias vernaculares. Trata-se aqui de uma coletânea de contos e
crônicas envolvendo devaneios e prosa psico-abstrata, bem próprios daqueles
que leram contos de gente da pesada, como o nosso Luís Henrique Verissimo ou
o deles Roald Dahl (Tales Of the Unexpected). E também decidem tentar a sorte.
A minha sorte, presumo, já está selada. Quero só ver a reação dos meus hoje
velhos amigos do ginásio e da faculdade. Na certa vão achar tudo muito
constrangedor, não necessariamente alguns dos artigos, mas a iniciativa
daquele que mal se entrosava no ambiente austero do anfiteatro acadêmico.
Em contrapartida, consola-me o fato de ter cumprido o decantado trinômio
existencial, que popularmente reza ser missão do homem, durante a sua vida,
primeiro procriar; segundo escrever um livro e terceiro plantar uma arvore.
Que não percam o seu tempo comigo os pródigos e os perfeccionistas. A minha
parte eu me esforcei por cumprir, malgrado as limitações das quais sofremos
todos, os livroqueiros.