Os israelitas representam 2% da população dos EUA, mas são 21% dos alunos da Ivy
League, 26% dos homenageados pelo Kennedy Center, 37% dos diretores ganhadores de
Oscar, 38% de uma lista recente da Business Week com os principais filantropos, 51%
dos vencedores do Prêmio Pullitzer na categoria de não-ficção. Eles significam apenas
0,2% da população mundial, mas têm 54% dos campeões mundiais de xadrez, 27% dos
ganhadores do Nobel de Física e 31% dos de Medicina, o que os torna em um grupo
admiravelmente capacitado.

Fontes socio-economicas americanas e europeias apresentam uma lista de explicações
dadas para esse recorde de realizações. A fé judaica encoraja a crença no progresso e na
responsabilidade pessoal.  Ela é baseada no aprendizado, enquanto que a
complementação espiritual e etica vem do ritual.  A maioria dos judeus desistiu ou foi
forçada a desistir da agricultura na Idade Média;  desde então, seus descendentes têm
vivido de suas habilidades como de seus talentos natos. Migraram frequentemente, com
ambição e perseverança de emigrantes. Agruparam-se em centros importantes no
mundo todo e se beneficiaram da endêmica tensão criativa de tais lugares.  As
frequentes perseguições e o antisemitismo não
os dispersaram ou assimilaram,  muito pelo contrario;  a força de sobrevivencia dos
judeus, principalmente na Europa, foi a tenacidade de manterem-se unidos e fieis `a sua
religião monoteista, embora perseguidos quer pelas Cruzadas, quer pelo
Nazismo e antissemitismo.

Só uma explicação não consegue justificar o recorde de realizações dos judeus. O curioso
é que Israel não tem sido geralmente mais forte em áreas nas quais, durante a diáspora,
os judeus eram os mais fortes. Em vez de pesquisa e comércio, os israelenses se viram
forçados a dedicar suas energias para a guerra e para a política.  Israel desmentiu todos
os estereótipos do judeu. As pessoas pensavam, por exemplo, que os judeus eram bons
cozinheiros, bons administradores, comerciantes e banqueiros mas péssimos soldados.
Israel provou que elas estavam erradas. Mas isso mudou.

As reformas econômicas de Benjamin Netanyahu, a chegada de um milhão de imigrantes
russos e a estagnação do processo de paz provocaram uma grande mudança histórica.
Os israelenses mais capazes estão indo em maior numero para a tecnologia, e menos
para a política.  Isso teve um efeito prejudicial na vida pública do país, mas foi um
tonificante para a economia. Israel se tornou um dos principais pólos empreendedores
do mundo.  O pais tem, per capita, bem mais lançamentos de empresas de tecnologia de
ponta do que qualquer outro.  É campeão em gastos com pesquisas e desenvolvimento
civis.  Está em segundo lugar, atrás dos EUA, em número de empresas listadas na
Nasdaq.  Israel , com 8 milhões de habitantes,  atrai tanto capital especulativo e de risco
quanto a França e a Alemanha juntas.

No livro “Um País de Lançamentos de Empresas: A História do Milagre Econômico de
Israel”, Dan Senor e Saul Singer escrevem que "o país agora possui um cluster de
inovação clássico,  um local onde obsecados por tecnologia trabalham bem próximos e se
alimentam das ideias uns dos outros".

Por causa da força da economia, Israel aguentou a recente recessão global
razoavelmente bem. O governo não teve de ajudar seus bancos ou desencadear uma
explosão de gastos a curto prazo. Em vez disso, usou a crise para solidificar o futuro da
economia a longo prazo, ao investir em pesquisa e desenvolvimento e em infraestrutura,
aumentou alguns impostos de consumo e promete cortar outros a médio e longo prazos.
Analistas da Barclay’s escreveram que Israel é”o caso de recuperação mais forte” na
Europa, Oriente Médio e África. O sucesso tecnológico de Israel é fruto do sonho sionista.
O país não foi fundado para que colonos errantes pudessem ficar entre milhares de
palestinos enfurecidos em Hebron . Ele foi fundado para que os judeus pudessem ter um
local seguro para ficar juntos e criar coisas para o mundo.  Essa mudança na identidade
israelense tem implicações duradouras.  Netanyahu prega a visão otimista: a de que
Israel vai se tornar o Hong Kong do Oriente Médio, com benefícios econômicos
transbordando para o mundo árabe.  De fato, há várias evidências apoiando essa visão,
em locais como Cisjordânia e Jordânia.

Mas é mais provável que o salto econômico de Israel vá ampliar a diferença entre ele e
seus vizinhos. Todos os países da região falam em promover a inovação. Alguns países
ricos em petróleo gastam milhões de dólares tentando montar centros de ciência.
Contudo, locais como o Vale do Silício e Tel-Aviv são criados por uma confluência de
forças culturais, e não pelo dinheiro. Os países vizinhos não têm a tradição de troca
intelectual livre nem de criatividade técnica.  Por exemplo, entre 1980 e 2000, os egípcios
registraram 77 patentes nos EUA; os sauditas, 171; e os israelenses, 7.652.

O boom tecnológico também cria uma nova vulnerabilidade. E' de supor que esses
inovadores são as pessoas mais móveis do planeta. Para destruir a economia de Israel , o
Irã não precisa mesmo jogar uma bomba nuclear no país.  Ele só precisa provocar
instabilidade suficiente para que os empresários decidam que é melhor se transferirem
para Palo Alto, nos USA, onde muitos deles já tem contatos e residencia móvel. Os judeus
norte-americanos costumavam manter um pé em Israel caso as coisas ficassem ruins.
Ha' mais de década, os israelenses estão mantendo um pé nos EUA.  Durante uma década
de pressentimentos cinzas, Israel se tornou um sucesso impressionante, mas também
um sucesso ameaçado de transformar-se em altamente móvel.

A DINAMICA DO HI-TECH EM ISRAEL *)
                              FEVEREIRO 2010  
*)  por David Brooks, colunista do New York Times