ISRAEL:  1948 -- 1956 -- 1967-- 1973  
INTIFADA I -- GAZA I -- INTIFADA II
LIBANO I --  LIBANO II -- GAZA II
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[por Salo Yakir, janeiro 2009]

Desde o sábado, 27 de dezembro de 2008, quando Israel decidiu bombardear os redutos
dos terroristas do Hamas em Gaza, a imprensa e o email tem sido inundados por artigos
acêrca do impasse, intensificados pelo recente episódio do  Relatorio Goldstone,
unilateralmente concebido em favor dos Palestinos.

O nucleo critico da questão foi sem duvida o lembrado por Pereira Coutinho (no artigo
subsequente), pois o que se vem agigantando subreticiamente e' o eixo Irã-Siria-Hezbolah-
Hamas, sobre o qual o govêrno israelense ja' se referiu diversas vezes e contra o qual o
IDF - Israel Defense Forces – não teve outra alternativa senão adentrar a Faixa de Gaza,
com o propósito de frear os continuos ataques de foguetes caseiros  - e também outros
tecnologicamente incrementados -  contras as cidades e colonias israelenses limitrofes.

Não so' os Phds da área acadêmica, mas os mais destacados articulistas e jornalistas de
renome, têm lançado mão dos eventos ligados `a relativamente recente criação do Estado
de Israel em 1948, poucos favorecendo-o e a maioria condenando as suas ações
defensivas.
Como um dos imigrantes  para Israel em 1977, tenho acompanhado com muito interêsse o
que vem sendo divulgado sôbre o impasse Israel-Hamas. Dentre a materia que chamou-me
a atenção, está a argumentação exposta pelo jornalista Pereira Coutinho, quando sustenta
que o atual estado de beligerancia entre as partes e' resultante da "luta em curso [é uma
luta nova], entre Israel e o Irã, que só está nos seus primeiros passos".

Muito bem colocado, ainda que todos os acontecimentos no Oriente Medio são dinâmicos
por excelência, dada a multiplicidade de organismos extremistas árabes que
ininterruptamente almejam varrer do mapa a implantação da única democracia da região,
ceifada que tem sido por amargas fases defensivas contra os estados muculmanos
agressores.

Sob o ponto de vista religioso, de há muitos anos estabeleceu-se um "modus vivendi"
positivo entre o Judaismo e o Cristianismo. Junto com o Islamismo, elas formam as três
religiões predominantes hoje centralizadas em Jerusalém. Porém, será muito difícil
estabelecer tal entendimento com os mulçumanos. É corriqueiro entre os fanaticos do
Islamismo achar que o Estado de Israel deva ser destruído, extirpado do mapa da Palestina,
nome dado pelos romanos à antiga Judéia. Os conflitos são históricos e se tornaram cruéis
de ambos os lados desde a invasão e tomada de Jerusalém pelos árabes mulçumanos por
volta dos anos 900 DC. Os mulçumanos identificaram ali um monte onde o profeta Maomé
teria pregado, por volta de 550 ,apos a Era Cristã: O mesmo monte onde havia vivido .
Abraão, o pai dos dois povos descendentes de Abel e Caim, judeus e mulçumanos,
Desafiando a fe' Hebraica, fizeram erguer uma Mesquita (El-Akssa) sôbre o exato local onde
por séculos existiram os dois Templos Sagrados dos Israelitas, ambos destruidos por
inimigos em épocas diferentes (Nebuchadnezzar II após o cêrco de Jerusalém em 587 AC -  
e os Romanos,
sob Tito, que destruiram Jerusalem e o 2o. templo no ano 70 EC).

A região sempre fôra o lugar sagrado dos judeus, palco percorrido pelos seus
personagens bíblicos. Com o nascimento, vida e morte de Cristo, passou a ser sagrado
também para os cristãos e, a partir do final do 1º milênio, com a tomada de Jerusalém,
passou a ser sagrado também para os mulçumanos. Durante séculos os cristãos europeus
organizaram cruzadas para libertar a cidade santa das mãos dos mulçumanos. E também
durante séculos os judeus lutaram contra eles. Mas como todos os países do golfo arábico
tornaram-se mulçumanos, a hegemonia bélica pertenceu a eles e os judeus foram sendo
gradativamente expulsos da Cidade Santa.

O ódio contra os judeus advem do fato deles nunca terem desistido do seu solo sagrado,
lutando por ele obstinadamente. Os cristãos deixaram de pegar em armas desde há muito
tempo. Com a criação do Estado de Israel pela ONU  em 1947 e com os conflitos posteriores
que se sucederam, especialmente a Guerra dos Seis Dias de 1967 -que reconquistou as
terras sagradas  -, o ódio árabe contra os judeus chegou ao extremo.

Hoje tal repudio contra os judeus se personifica e se materializa por meio do Hezbollah e
do Hamas, este ultimo grupo radical eleito em 2006 para suceder ao govêrno da Autoridade
Palestina. O Hamas foi então eleito com noventa por cento dos votos para cumprir um  
objetivo prioritario: destruir o Estado de Israel, conforme reza o estatuto da entidade.
Assim, países como Irã e Siria enviam mísseis e munição diversificada para estas
organizações terroristas, o que resulta em ataques periodicos contra Israel. Nenhum país
muçulmano se manifesta contra os ataques. Quando Israel atira contra o Hamas,
imediatamente eles convocam uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para frear
os ataques defensivos de Israel. Importante lembrar que a população apóia o Hamas. As
plataformas de lançamento de mísseis e os depósitos de armamentos são construídos
dentro de bairros residenciais, hospitais e escolas, para evitar que Israel ataque estes
locais. Encontrar um grupo e uma população dispostos a morrer atirando contra Israel era
tudo o que os mulçumanos dos países vizinhos almejavam. (*)  

Mais recentemente, os paises árabes voltaram a se valer da maioria que detêm na
Assembleia Geral da ONU e no Conselho de Segurança, para pedir a condenação de Israel
por supostos abusos contra a população civil no conflito de 2008, exigindo também o
acionamento das medidas unilaterais constantes do Relatorio Goldstone sobre o mesmo
conflito.

Com as conversações de paz interrompidas entre os Palestinos e Israel, não obstante o
imenso empenho do presidente americano Obama, e com o ininterrupto crescimento dos
arsenais do Hamas e Hezbollah, Israel vem se manifestando continuamente no ambito
diplomatico acêrca da situação beligerante, incluindo a obstinação do Irã em continuar a
desenvolver armas nucleares.

(*) Fatos históricos e datas extraidos de material pertinente `a Internet.




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Sem mudar as palavras

"A luta em curso é uma luta nova, entre Israel e Irã, que só está nos seus primeiros passos."

JOÃO PEREIRA COUTINHO

INEVITÁVEL: ISRAEL é sempre um sucesso de bilheteria. Na passada semana, eu poderia ter
escolhido outro tema qualquer. Poderia ter escolhido, por exemplo, o que sucedeu no Congo: uma
guerra brutal que ceifou 1 milhão de vidas. E que, já depois do cessar-fogo, continua a matar: uma
média de 30 mil por mês. Essa guerra mundial africana já fez entre 3 a 6 milhões de mortos.
Mas o mundo não quer saber do Congo para nada. Não há judeus no Congo. Curioso: uma
catástrofe sem precedentes está a suceder na África e o mundo está com os olhos postos em Gaza.
É por isso que regresso ao meu artigo da semana passada, que praticamente rebentou com o meu
e-mail e com o Painel do Leitor desta Folha.

Não respondo aos insultos e aos elogios, que chegaram em partes iguais. Ignoro os primeiros,
agradeço os segundos. Mas gostaria de responder a críticas racionais, articuladas por pessoas
racionais. E a principal crítica que me foi dirigida lida com a parte da história que eu, alegadamente,
teria ignorado: eu começava a minha narrativa em 1967 porque esse é o ano da ocupação de Gaza
e da Cisjordânia.

Alguns leitores disseram que eu esquecia o que sucedera antes, ou seja, o "roubo", pelos judeus, de
terra árabe em 1948. Alguns leitores tiveram mesmo a gentileza de me enviar um artigo de Robert
Fisk, publicado na Folha (edição de 31/ 12/ 2008), em que o jornalista britânico afirmara com ironia:
as populações de Gaza nem sempre viveram em Gaza. Verdade que uma crônica de jornal não é
uma tese de doutorado. Eu sei, porque já escrevi ambas.

Mas mesmo no espaço limitado de uma crônica, eu pensava que os meus críticos jamais comprariam
a propaganda antissemita que faz dos judeus de 1948 puros extraterrestres que desceram da nave
espacial para ocupar a Palestina e expulsar os árabes lá presentes.

Uma mentira infame. Para começar, a presença judaica na região foi permanente ao longo dos
séculos, mesmo depois da destruição do segundo Templo em 70 d.C. E, para ficarmos na história
moderna, a maciça imigração de judeus para a Palestina a partir de 1880, altura em que muitos
abandonaram a Europa e a Rússia e compraram legalmente terras na região, bastaria para desfazer
a primeira mentira: a mentira dos extra-terrestres. A criação do Estado de Israel expressa esta
presença multissecular. Mas seria o fim da Primeira Guerra, e a consequente desagregação do
Império Otomano, que tornaria Israel possível: se árabes e judeus coexistiam na Palestina, um plano
de partição, supervisionado pelas Nações Unidas, propunha-se garantir a ambos os povos dois
Estados independentes. E se a Transjordânia ocupava já 80% do Mandato Palestino, árabes e
israelenses partilhariam a terra restante.

Fatalmente, os árabes mostraram-se incapazes de aceitar a existência do Estado judaico e, logo em
1948, iniciariam uma guerra de extermínio que está na origem do problema dos refugiados
palestinos. Robert Fisk tem razão quando afirma que os habitantes de Gaza nem sempre viveram em
Gaza. O que Fisk esquece, ou propositadamente ignora, é a responsabilidade árabe na criação do
problema dos refugiados. Como esquece, ou ignora, que em 1948 Israel receberia 600 mil judeus
expulsos ou perseguidos pelos países árabes. A grande diferença é que Israel recebeu os seus
refugiados e os países árabes ignoraram-nos. Até hoje.

A tragédia corrente no Oriente Médio não é explicável sem este primordial antissemitismo árabe, no
qual teve papel de destaque o mufti de Jerusalém, Al Husseini (um amigo pessoal do regime nazista).
Foi esse antissemitismo crescente que condenou a região a uma guerra sem fim.
Mas a tragédia também não é explicável sem um pormenor final.

Nos relatos habituais, o conflito em Gaza tem sido retratado com as lentes do passado: uma luta
entre Israel e os palestinos, em que Israel se recusa a aceitar a solução dos dois Estados. Não vale a
pena perder um minuto de tempo e relembrar a oferta de Ehud Barak em Camp David (que Arafat
recusou) ou o pormenor, insignificante, de que o Hamas se recusa a aceitar a existência de judeus
na Palestina, tal como está na sua Constituição.

Fixo-me pelo básico: a luta em curso é uma luta nova, não velha; tal como sucedeu em 2006, no sul
do Líbano, é uma luta entre Israel e o Irã que ainda só está nos primeiros passos. Minha tentação era
terminar, dizendo: quem viver, verá. Mas, se o Irã chegar à bomba nuclear, o mais certo é no futuro já
não restar nada para ver.