O GOLPE DO BACARA' ©

Conto de ficção por Salo Yakir - Maio de 2005

Aquele homem elegante, barba bem aparada e presênça carismática,
não por acaso se debruçava sobre o reluzente balcão do bar do suntuoso
casino "Renier" de Monte Carlo. O bar, localizado não  longe das mesas
de roleta e outros jogos, proporcionava ao jovem Prof. de Ciências
Exatas, Konrad , posição privilegiada para observar cuidadosamente os
movimentos de sua companheira e do croupier sentados junto à mesa
central de bacará.
O professor, cujas atividades universitarias depois de poucos anos
trouxeram-lhe expressiva projeção, fizeram-no também conhecido por
suas extravagancias extra-curriculares. Dedicara-se a liderar
controvertidos grupos de alunos rebeldes e brilhantes, aos quais
fornecia sofisticadas formulas matematicas para desenvolver
dispositivos e aparelhos eletrônicos originais. A titulo de divertimento,
usavam seus dispositivos ostensivamente em bares noturnos e galerias
de arte, paralisando elevadores, portas automaticas, câmeras de
segurança, circuitos telefônicos, redes internas de TV e tudo ao meio do
alvorôço do publico presente.
Melissa, uma das participantes do grupo, loira bonita e sensual,
tornara-se intima de Konrad e os dois não só transavam a criação de
dispositivos no laboratorio, como também a decantação de suspiros e
orgasmos sobre o sofá da ante-sala.
Resolvendo gozar de um merecido periodo de ferias, o professor e sua
bela assistente viajaram à Europa, levando discretamente em sua
bagagem varios aparelhos de alta precisão e sensibilidade, destinados a
desafiar, entre outros, o sistema de segurança do casino de Monte Carlo.
Naquela noite, do seu ponto de observação, o professor comprimia com
o dedão do pé um transmissor de frequência assincronica que,
de forma insuspeita, enviava pulsos eletro-magneticos para a mesa de
bacará que sua cumplice captava numa micro tela holográfica
montada em seus óculos.  
Ao deixar o casino naquela madrugada, o casal tinha em seu poder
nada menos do que 300 mil francos.
Na tarde do dia seguinte, enquanto sobrevoavam a cordilheira dos
Dolomitas na fronteira suiço-italiana, um mensageiro entregava nos
escritorios do casino de Monte Carlo um pacote contendo jetões no valor
de 200 mil francos, com um bilhete explicativo do "golpe" feito a titulo
de desafio e senso de humor acadêmico. O bilhete também mencionava
que os restantes 100 mil francos haviam sido deduzidos para fins de
despesas gerais e de transporte, materiais de tecnologia avançada,
hoteis e roupas finas para ingresso no casino.


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O GOLPE DOS 27 MIL PÉS DE ALTITUDE ©
(correlato ao conto "O Golpe do Bacará")
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